Lançamos a Coleção 5 (1985-2019)

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BRASIL PERDEU ÁREA DE VEGETAÇÃO NATIVA EQUIVALENTE A 10% DO TERRITÓRIO NACIONAL ENTRE 1985 E 2019

Redução acumulada é de 87,2 milhões de hectares, mostra Coleção 5 do MapBiomas. Os mapas e dados atualizados de cobertura e uso da terra serão lançados nesta sexta-feira (28)

Sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Os mapas e dados atualizados do MapBiomas mostram que o Brasil perdeu 87,2 milhões de hectares de áreas de vegetação nativa, de 1985 a 2019. Isso equivale a 10,25% do território nacional. O ritmo de perda de vegetação nativa acelerou no Brasil entre 2018 e 2019. É o que aponta a Coleção 5 do MapBiomas.

A série histórica de mapas e dados anuais de cobertura e uso da terra no país, de 1985 a 2019, foi apresentada nesta sexta-feira (28), no 5º Seminário Anual do MapBiomas: Revelando o Uso da Terra no Brasil com Ciência e Transparência. O evento foi transmitido pelo YouTube e pelo Facebook.

A atualização da plataforma, de uso público e gratuito, traz novas funcionalidades e camadas de informação, como a evolução da área de irrigação, a avaliação da qualidade das pastagens e o mapeamento da vegetação natural em regeneração em todo o território nacional.

Os dados da Coleção 5 do MapBiomas mostram que mais da metade da perda de vegetação nativa no Brasil (44 Mha) ocorreu na Amazônia. No Cerrado, a redução foi de 28,5 Mha. Entre os seis biomas brasileiros, foi o que mais perdeu vegetação nativa em termos proporcionais: 21,3%.

O Pampa também teve uma elevada taxa de diminuição de cobertura vegetal remanescente: 20% (2,3 Mha). Por outro lado, a área de florestas plantadas no bioma gaúcho cresceu 4,9 vezes.

No Pantanal, a perda de vegetação nativa foi de 12%, com aumento de 4,7 vezes da área total de pastagens plantadas. Na Caatinga, a queda de área de vegetação remanescente foi de 11%, com expansão de 26% para agropecuária.

Na Mata Atlântica, encontram-se 57% das áreas urbanas do país. A área de infraestrutura urbana no bioma cresceu 2,5 vezes de 1985 a 2019; a área de agricultura dobrou.

De toda a perda de vegetação natural no Brasil, incluindo floresta, savana, campos e mangue, pelo menos 90% foram ocupados pelo uso agropecuário, cuja expansão foi de 78 milhões de hectares (43% de crescimento desde 1985).

Coleção 5 do MapBiomas: mais dados, mais profundidade, mais transparência

Entre as novidades da Coleção 5 estão dados de desmatamento e regeneração, como a velocidade de perda de vegetação nativa por bioma e visões dos territórios onde, proporcionalmente, há mais vegetação secundária.

Apesar de o país contar com 66,8% do território coberto por vegetação nativa, isso não significa que são áreas preservadas. "O levantamento do MapBiomas aponta que pelo menos 9,3% de toda a vegetação natural do Brasil é secundária, ou seja, são áreas que já foram desmatadas e convertidas para uso antrópico pelo menos uma vez", explica Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas. "Da área que nunca foi desmatada, há uma fração que já foi degradada por fogo ou exploração madeireira predatória. Quantificar esse processo de degradação das florestas é um dos próximos desafios que vamos enfrentar", complementa.

No monitoramento das áreas de agropecuária, foram incluídos dados de irrigação, lavouras temporárias, como soja e cana, e perenes, além de melhorias nos mapeamentos de pastagem e agricultura no Brasil.

Entre os trabalhos em versão experimental e inédita, está a avaliação da qualidade das pastagens no Brasil para os anos de 2010 e 2018. “Os dados mostram que houve uma evolução importante. A área de pastagem com sinal de degradação caiu de 72% para pouco mais de 60% em 8 anos”, afirma o professor da UFG e coordenador da equipe de pastagem do MapBiomas, Laerte Ferreira. O entendimento do grau de degradação das pastagens é fundamental tanto para controlar as emissões de gases de efeito estufa quanto para melhorar a produtividade e reduzir a pressão de desmatamento nos biomas. “As pastagens degradadas emitem carbono, enquanto as bem manejadas captam carbono no solo”, explica.

Os mapas anuais de cobertura e uso do solo do Brasil do MapBiomas têm resolução de 30 metros (cada pixel representa uma área de 30 metros x 30 metros). A coleção pode ser baixada e utilizada em sistemas de informação geográfica ou acessada pela plataforma web disponível em plataforma.mapbiomas.org. É possível visualizar os dados em recortes territoriais de biomas, estados, municípios, terras indígenas, unidades de conservação, infraestrutura de transporte, energia, mineração e bacias hidrográficas; módulos de mapas e estatísticas de desmatamento/supressão e recuperação de florestas e vegetação nativa em todos os biomas do país; além de infográficos e mapa mural do Brasil e de cada bioma. A ferramenta é pública e gratuita.

Webinars aprofundarão os dados da Coleção 5 por bioma e temas transversais

O MapBiomas promoverá, em setembro e outubro, dois webinars por semana para apresentar as novidades da Coleção 5 por bioma e temas transversais, debatendo os dados levantados com especialistas e usuários da plataforma.

"Os webinars permitirão um debate mais aprofundado sobre a situação e a evolução das atividades em cada bioma, qualificando o debate sobre o uso sustentável do território brasileiro", afirma Júlia Shimbo, pesquisadora do IPAM e coordenadora científica do MapBiomas.

Os eventos online ocorrerão às terças e sextas-feiras, entre 4 de setembro e 9 de outubro, sempre das 10h30 às 12h, com transmissão no YouTube.

  • Amazônia (04.09)
  • Caatinga (08.09)
  • Cerrado (11.09)
  • Mata Atlântica (15.09)
  • Pastagem (18.09)
  • Pampa (22.09)
  • Pantanal (25.09)
  • Zona Costeira (29.09)
  • Fogo (02.10)
  • Agricultura, Irrigação e Florestas Plantadas (06.10)
  • Cidades, Infraestrutura e Mineração (09.10)

Inscreva-se nos webinars: https://bit.ly/VseminarioMapBiomas

Sobre o MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Outras iniciativas MapBiomas estão em desenvolvimento na Indonésia, toda a Pan-Amazônia, além de Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Todos os dados, mapas, método e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org

Informações para a imprensa: imprensa@mapbiomas.org

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2ª EDIÇÃO DO PRÊMIO MAPBIOMAS DESTACA DADOS DE USO DA TERRA EM PESQUISAS DE DIFERENTES ÁREAS

Tese sobre modelagem preditiva de febre amarela e trabalho que analisou a Política de Municípios Prioritários no combate ao desmatamento na Amazônia conquistaram primeiros lugares, nas categorias Geral e Jovem, respectivamente

Banner da 2ª Edição do Prêmio MapBiomas | realização MapBiomas e Instituto Escolhas

Quinta-feira, 18 de junho de 2020

Elaborar uma modelagem para prevenção de febre amarela; entender se o desmatamento está sendo combatido na Amazônia ou somente deslocado; mensurar o efeito da perda de vegetação nativa nas espécies da Mata Atlântica; calcular a área disponível para implantação de usinas de energia solar em Goiás; descobrir o impacto das mudanças de uso da terra em comunidades de peixes de riacho no sul do Brasil. A diversidade de temas das cinco pesquisas vencedoras da 2ª Edição do Prêmio MapBiomas, uma parceria entre MapBiomas e Instituto Escolhas, resume a grande variedade dos 98 trabalhos inscritos.

Além do aumento do número de inscrições – mais que o triplo da primeira edição –, a grande participação de jovens cientistas chamou a atenção dos organizadores. “Dos trabalhos recebidos, 72% são de jovens com menos de 30 anos”, destacou a coordenadora científica do MapBiomas, Julia Shimbo, na cerimônia de premiação, realizada na terça-feira (16/06). Por causa da pandemia de Covid-19, o evento foi online, com transmissão no YouTube do MapBiomas. Shimbo também ressaltou o fato de 78% das inscrições serem oriundas da academia (instituições de pesquisa, universidades e institutos técnicos).

A professora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), saudou tantos trabalhos enviados por jovens cientistas. Em uma fala contundente, ela afirmou que a sociedade precisa de “cientistas com vozes fortes”. “É muito importante que tenhamos uma geração de cientistas capazes de dar força à informação por meio das suas vozes, por meio de seus trabalhos, que possam atuar como aquilo que chamamos de vozes de autoridade; sejam imparciais, sejam capazes de explicar onde estão as incertezas nas evidências e quais são as possíveis consequências de futuras alternativas”, disse.

Para a professora da UnB, o Prêmio MapBiomas contempla dois valores fundamentais presentes no projeto MapBiomas, que nasceu em 2015: “a abertura e a transparência nos dados”. “Porque permitem que esses dados sejam reanalisados, sintetizados em outros estudos, que é exatamente o que Prêmio mostra”, afirmou Bustamante. Além da importância de uma premiação como essa no incentivo à ciência, Bustamante falou sobre o reconhecimento para as carreiras dos pesquisadores.

E foi assim que Livia dos Santos Abdalla (FIOCRUZ/IME) recebeu o primeiro lugar na Categoria Geral: “O prêmio do Mapbiomas é um dos maiores reconhecimentos da minha carreira acadêmica. É uma injeção de ânimo para eu continuar dedicando e integrando esforços pessoais e profissionais para a produção de pesquisas aplicadas aos problemas sociais e ambientais que são urgentes no nosso país”. Sua pesquisa utilizou milhares de atributos, entre eles os dados de uso da terra do MapBiomas, em uma modelagem para a previsão da emergência da febre amarela silvestre no Brasil.

O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, enalteceu o trabalho ganhador ressaltando o momento que vivemos. "Se preveem e se combatem epidemias com ciência e com conhecimento. Estamos em meio a uma crise e é pela ciência que conseguiremos os melhores resultados no combate à pandemia que vivemos agora", disse.

Visibilidade e credibilidade às pesquisas

O ganhador da Categoria Jovem, João Pedro Graça Melo Vieira (PUC-Rio), afirmou que o Prêmio MapBiomas contribui “não apenas ao incentivar a pesquisa diretamente, mas ao dar visibilidade e credibilidade a ela”. “Algo que falta muito no Brasil hoje de forma geral, mas que, para jovens, é ainda mais complicado, por não existirem tantos espaços e uma estrutura de incentivo consolidada. Olhando em volta, para meus colegas de curso, vejo que capacidade e ideias não faltam para produzir e participar de prêmios como esse, caso existissem em suas áreas de interesse”, disse. Em sua pesquisa, ele analisou se as políticas de combate ao desmatamento na Amazônia têm de fato reduzido a perda de vegetação nativa ou apenas deslocado essa perda para outro bioma, o Cerrado.

A divulgação da plataforma MapBiomas, com seus dados públicos e gratuitos, também é um objetivo do prêmio. “O prêmio é importante para fomentar os dados da plataforma. A divulgação da minha menção honrosa atingiu muitos grupos de pesquisa que podem se beneficiar destes dados. A plataforma deve ser amplamente divulgada pela qualidade dos dados da série temporal e especialmente por essas informações serem de caráter público”, disse Mateus Camana (UFRGS), que recebeu Menção Honrosa na Categoria Geral, com um trabalho sobre o impacto do uso da terra em comunidades de peixes de riacho no sul do país.

O volume de trabalhos inscritos e a qualidade das apresentações dos vencedores mostraram que a 2ª Edição do Prêmio MapBiomas alcançou seus objetivos. “Somos uma rede que produz um dado primário para ser utilizado pelos outros. Por isso, surgiu a ideia de fazer o Prêmio MapBiomas. É uma oportunidade de estimular e reconhecer o trabalho de quem, utilizando esses dados e informações sobre a cobertura e uso da terra no Brasil e sua evolução, gera ciência, conhecimento e pesquisa para melhor gestão dos recursos naturais do Brasil”, afirmou o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

Os vencedores

Categoria Geral


1º Lugar: Livia dos Santos Abdalla (FIOCRUZ/IME) - Modelagem baseada em dados para previsão da emergência de zoonoses: um estudo de caso da Febre Amarela silvestre no Brasil

2º Lugar: Thomas Püttker et al (UNIFESP) - Indirect effects of habitat loss via habitat fragmentation: a cross-taxa analysis of forest-dependent species

 

Menção Honrosa: Mateus Camana et al (UFRGS) - Avaliando o legado de trajetórias do uso da terra em comunidades de peixes de riacho no sul do Brasil


Categoria Jovem

1º Lugar: João Pedro Graça Melo Vieira (PUC-Rio) - Curbing or Displacing Deforestation? The Amazon Blacklist Policy
Vídeo sobre o trabalho: 

2º Lugar: Angela Gabrielly Pires Silva (IFG) - Seleção de áreas aptas para implantação de usinas fotovoltaicas baseada em modelo de lógica Booleana-Fuzzy

2ª Edição do Prêmio MapBiomas em números

  • 98 trabalhos inscritos
  • 72% de inscritos por jovens com menos de 30 anos
  • 78% de oriundos instituições acadêmicas (universidades, entidades de pesquisas, institutos técnicos)
  • 16 estados e o DF representados entre os inscritos (maior volume do Paraná e de São Paulo)
  • 42% dos trabalhos com temas/áreas de conhecimento ligados a uso da terra/sensoriamento remoto e conservação (outros temas: planejamento territorial, infraestrutura, água, biodiversidade, fogo, educação, pesca, turismo etc)
  • R$ 25 mil em prêmios

Saiba mais sobre Prêmio MapBiomas: mapbiomas.org/premio

Sobre o MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e uso da terra no Brasil. Site: mapbiomas.org

Contato: contato@mapbiomas.org


RELATÓRIO ANUAL DO DESMATAMENTO NO BRASIL APONTA PERDA DE 1,2 MILHÃO DE HECTARES DE VEGETAÇÃO NATIVA NO PAÍS EM 2019

Área desmatada corresponde a oito cidades de São Paulo. Levantamento inédito abrange todos os biomas brasileiros 

Terça-feira, 26 de maio de 2020

Capa do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2019
Acesse o Relatório

O primeiro Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, lançado hoje (26/05), mostra, de forma inédita, a perda de vegetação nativa detectada em todos os biomas do país em 2019. Pela primeira vez, alertas de desmatamento do território nacional foram analisados e consolidados em um único levantamento, apontando que o Brasil perdeu, ao menos, 1.218.708 hectares (12.187 km²) de vegetação nativa, área equivalente a oito vezes o município de São Paulo.

Mais de 60% da área desmatada está na Amazônia, com 770 mil hectares devastados. O segundo bioma em que mais houve perda foi o Cerrado, 408,6 mil hectares. Bem atrás estão: Pantanal (16,5 mil ha), Caatinga (12,1 mil ha) e Mata Atlântica (10,6 mil ha).

Amazônia e Cerrado são os biomas mais bem monitorados, contando com sistemas de acompanhamento contínuos, adaptados para as respectivas regiões. Como os demais biomas utilizam dados de um sistema global, sem adaptações para condições específicas (tipos de vegetação, sazonalidades do clima e da paisagem, por exemplo), os valores apurados são considerados conservadores, ou seja, podem estar subdimensionados.

O MapBiomas Alerta é um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa, com imagens de alta resolução, lançado em junho de 2019. A análise começa a partir dos alertas gerados pelos sistemas Deter (Inpe), SAD (Imazon) e Glad (Universidade de Maryland). Os dados são validados e refinados com o suporte de imagens de satélite de alta resolução (três metros), os quais permitem identificar com grande precisão as áreas desmatadas.

“A partir dessa metodologia, foi desenvolvido o primeiro Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, que detalha no tempo e no espaço onde está se desmatando no país. A análise de cada alerta gera um laudo, que pode ser utilizado por todos os órgãos — públicos e privados”, afirma o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo. Os laudos dos alertas estão disponíveis na internet em: alerta.mapbiomas.org.

A metodologia desenvolvida pelo MapBiomas Alerta permite mensurar a velocidade do desmatamento em uma dimensão inédita. Assim, foi possível apontar que a área desmatada mais rapidamente em 2019 fica no município de Jaborandi (BA), com 1.148 hectares, entre 8 e 27 de maio, alcançando uma média de 60 hectares por dia. Em termos de tamanho do desmatamento, a maior área detectada fica em Altamira (PA): em um único evento, foram derrubados 4.551 hectares de floresta amazônica.

Os estados com mais eventos foram: Pará (18,5 mil), Acre (9,3 mil), Amazonas (7 mil), Rondônia (5,3 mil) e Mato Grosso (4,7 mil). Em área desmatada, o topo da lista é ocupado por: Pará (299 mil ha), Mato Grosso (202 mil ha) e Amazonas (126 mil ha).

Quando se organiza o ranking por municípios, metade de toda a área desmatada está em 50. Dentre os dez que mais desmataram em 2019, quatro são do Pará, três do Amazonas, um da Bahia, um de Mato Grosso e um de Rondônia. No total, 1.734 municípios tiveram áreas de desmatamento detectadas em 2019.

Outro aspecto fundamental: os cruzamentos com camadas territoriais, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e imóveis rurais, realizado a partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR), dados de autorizações de supressão da vegetação e plano de manejo florestal.
Mais de três quartos dos alertas têm sobreposição com pelo menos um imóvel cadastrado no CAR. Foram 42,6 mil imóveis rurais com alertas registrados, o que representa 0,7% dos mais de 5,6 milhões de imóveis cadastrados no CAR. Pouco mais de um terço dos alertas (38%) sobrepõe total ou parcialmente áreas de reserva legal, áreas de preservação permanente ou nascente e menos de 1% tem registrada a autorização de supressão da vegetação. “O relatório indica que o índice de ilegalidade no desmatamento é extremamente alto, a ponto de os desmatamentos legais representarem mais exceção do que regra”, finaliza Azevedo.

Sobre o MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e uso da terra no Brasil. Site: mapbiomas.org.

Assista à apresentação de Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, no lançamento do Relatório Anual do Desmatamento


MAPBIOMAS PREMIA ESTUDOS SOBRE INFRAESTRUTURA E USO DO SOLO 

Brasil perdeu 89 milhões de hectares de vegetação natural nos últimos 34 anos.Dados de mudanças na cobertura e uso de solo no País constam de série histórica analisada pelo projeto MapBiomas; só a Amazônia perdeu 47 milhões de hectares no período.

Segunda-Feira, 23 de Setembro de 2019, 14:53h
30/08/2019

São Paulo, agosto de 2019 – Entre os anos de 1985 e 2018, o Brasil perdeu 89 milhões de hectares de vegetação  atural, uma área equivalente a quase o Estado de Mato Grosso, o terceiro maior do País em extensão. Esses dados compõem a Coleção 4.0 do projeto MapBiomas e foram apresentados nesta quinta-feira (29/08), em Brasília, durante o 4º Seminário Anual do MapBiomas – Perdas e Ganhos das Mudanças de Cobertura e Uso do Solo no Brasil. A série  histórica levantada pela Coleção 4.0 cobre um período de 34 anos com dados anuais de cobertura e uso do solo, desmatamento e regeneração nos biomas brasileiros.

Dos 89 milhões de hectares perdidos nesse período, 82 milhões de hectares referem- se a florestas naturais e outros 7 milhões de hectares são de vegetação natural não florestal. No caso específico da Amazônia, a perda foi de 47 milhões de hectares em 34 anos, mais da metade do total registrado no Brasil. A agropecuária avançou de 174 milhões de hectares para 260 milhões, um aumento de 86 milhões de hectares.


Tabela: Mudanças na Área de Cobertura e Uso do Solo entre 1985 e 2018 

Em 1985, as florestas naturais e a vegetação nativa representavam 77% de toda a cobertura e uso do solo no País, com mais 20% de ocupação pela agropecuária, 1% de áreas não vegetadas e 2% de água. Os dados de 2018 indicam que existem 66% de florestas naturais e vegetação nativa no território, 31% de áreas destinadas à agropecuária, 1% de áreas não vegetadas e 2% de água. 

Segundo o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, os dados apresentados pela plataforma de monitoramento ajudam a compreender a evolução da ocupação do território e os impactos sobre os biomas no Brasil, sendo um importante subsidio para orientar os gestores públicos no desenvolvimento e a aplicação de políticas públicas para conservação e uso sustentável dos recursos naturais. Ele ressalta que o impacto do desmatamento, que se encontra em alta, é preocupante por conta de fatores que se complementam e afetam diretamente o clima no Brasil e do planeta.

“O desmatamento somado as queimadas gera maior emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e, ao mesmo tempo, diminui a capacidade de ocorrer o fenômeno conhecido como sequestro de carbono, que é fundamental para reduzir a concentração destes gases na atmosfera sem o qual não será possível limitar o aquecimento global abaixo de 2 o C”, diz o pesquisador. “Hoje, mais da metade das emissões brasileiras de gás carbônico provém de desmatamento”, completa.
Os dados apresentados pelo Coleção 4.0 MapBiomas traz mapas anuais de cobertura e uso do solo do Brasil com resolução de 30 metros (cada pixel representa uma área de 30 metros x 30 metros); estatísticas de cobertura e uso do solo e recortes territoriais de biomas, estados, municípios, terras indígenas, unidades de conservação, infraestrutura de transporte e energia e bacias hidrográficas; módulos de mapas e estatísticas de desmatamento/supressão e recuperação de florestas e vegetação nativa em todos os biomas do País; além de infográficos e mapa mural do Brasil e de cada bioma.
A ferramenta é pública e gratuita e pode ser acessada no http://mapbiomas.org/

O Seminário Anual do MapBiomas – Perdas e Ganhos das Mudanças de Cobertura e Uso do Solo no Brasil ainda contará com mesas sobre as novas tecnologias no monitoramento de cobertura e uso do solo e aplicações dos dados do MapBiomas. Na ocasião, também será lançado o edital da 2ª edição do Prêmio MapBiomas.


Segunda-Feira, 23 de Setembro de 2019, 15:04h
17/08/2017

Projeto MapBiomas mapeia três décadas de mudanças na ocupação territorial do Brasil 

Iniciativa que reúne 34 instituições lança coleção inédita de mapas anuais para o período 1985-2017 

Mapa indica tipos de uso da terra no Brasil em 1985 (dir.) e 2017 (esq.). Mais imagens para imprensa: https://goo.gl/vK7omC 

Brasília (17 de agosto de 2017) - O projeto MapBiomas lança nesta sexta-feira um conjunto de dados de mapeamento que permite investigar a ocupação territorial de qualquer parte do Brasil, ano a ano, desde 1985. A ferramenta, que possibilita descobrir o que ocorreu no país desde então com uma resolução de 30 metros, é pública, inédita, gratuita e de acesso livre. 

"Essa é a mais longa série de dados sobre cobertura e uso da terra já levantada para o Brasil, algo jamais feito em qualquer outro país", diz Tasso Azevedo, do Observatório do Clima, coordenador do projeto, que envolve parceiros de 34 instituições diferentes. "O que estamos colocando à disposição de todos é a possibilidade de fazer uma viagem no tempo e enxergar a história do Brasil nas últimas três décadas, mostrando o que aconteceu em pixels de 30 x 30 metros." 

Os dados estão disponíveis no site www.mapbiomas.org. As ferramentas de navegação do site permitem explorar o mapa do Brasil e criar visualizações temporais de dados para estados, municípios, unidades de conservação, terras indígenas e outros recortes territoriais. 

"Agora, pela primeira vez, permitimos o cruzamento de dados com o Cadastro Ambiental Rural, possibilitando visualizar mudanças de uso da terra em propriedades rurais", afirma Azevedo. "Também é possível ver dados por bacia hidrográfica e enxergar a infraestrutura de energia e transportes para entender como ela impacta o uso do solo." 

O projeto permitiu constatar com alta precisão diversas mudanças no período 1985-2017: 

  • O Brasil teve perda líquida de 71 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a SP, PR, RJ e ES somados (a perda líquida é a perda total com a recuperação subtraída) 
  • A área de agricultura quase triplicou neste período (cresceu 2,9 vezes), e a área de pecuária cresceu 43% 
  • A Mata Atlântica, bioma com 56% da área urbana do país, teve perda líquida de 5 milhões de hectares de floresta; nos últimos 10 anos a regeneração superou o desmate 
  • O bioma que viu a maior proporção de sua área de vegetação nativa sumir foi o Cerrado, com 18% de perda líquida 
  • A Amazônia perdeu a maior área (líquida) de floresta no período: 36 milhões de hectares 
  • Outros biomas tiveram também perda líquida: Pampa (-15%), Caatinga (-8%) e Pantanal (-7%) 

O MapBiomas nasceu em 2015, a partir de um seminário que reuniu pesquisadores convidados pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) para discutir um problema. Como o país só tinha dados confiáveis para monitorar emissões por desmatamento e outras mudanças de uso da terra na Amazônia, os parceiros da iniciativa concordaram em unir esforços para conseguir abarcar os outros cinco biomas do país: Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. 

O projeto já lançou ferramentas para explorar duas coleções de dados desde então. A segunda, publicada em 2017, já permitia investigar a mudança de uso da terra no país de 2000 a 2016. Com a terceira coleção, lançada agora, o MapBiomas dobra a extensão do período que pode ser investigado, cobrindo todos os anos de 1985 a 2017. 

"Isso só foi possível porque nós conseguimos reunir instituições com cientistas estudando cada um dos biomas brasileiros a especialistas em sensoriamento remoto, em uso da terra, em sistemas de informações geográficas e em ciência da computação", diz Carlos Souza Jr., do Imazon, coordenador técnico-científico do MapBiomas. "A parceria com o Google Earth Engine, uma plataforma de processamento em larga escala de dados geo espaciais, permite ao MapBiomas tratar um volume monstruoso de dados." 

As imagens usadas pelo projeto são séries históricas produzidas pelos satélites Landsat, dos EUA. Para cada área de 30m por 30m do Brasil, o projeto atribui uma classificação de uso da terra (floresta, campo, pastagem, plantação, água, cidade etc.). Para cobrir o país inteiro, é preciso analisar mais de 9 bilhões de pixels, montados a partir de milhares de imagens de satélite para a série histórica. "Só foi possível atingir nosso objetivo usando um alto grau de automação do processo, usando o conhecimento de nossos especialistas nos biomas para alimentar um sistema de aprendizado de máquina", diz Tasso Azevedo. "E hoje, apesar de o projeto ter sido criado para a estimativa de emissões de gases-estufa, ele pode ser usado para inúmeras outras aplicações." 

Por exemplo, municípios utilizam essas informações para montar seus Planos de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica e a expansão da infraestrutura urbana; estados podem aplicar os dados para o zoneamento ecológico-econômico; gestores de unidades de conservação (UCs) podem usar os dados como base para desenhar novas UCs e seus planos de manejo. A Fiocruz estuda a relação das mudanças de uso do solo com a dispersão de doenças como febre amarela e malária usando o MapBiomas.


Sábado, 02 de Março de 2019, 12:24h
07/11/2018

Qual é o impacto das obras de infraestrutura? Como projetos de produção de energia afetam a cobertura florestal no Brasil? Qual a relação entre o desmatamento e a construção de estradas ou ferrovias? Uma iniciativa conjunta da rede de instituições do MapBiomas, do Instituto Energia e Meio Ambiente e do Instituto Escolhas com apoio do Instituto Clima e Sociedade irá premiar os melhores trabalhos para responder questões como essas.

O objetivo do Prêmio MapBiomas é eleger os melhores estudos sobre a relação entre obras de infraestrutura de energia ou transportes e alterações no uso do solo. Podem concorrer ao Prêmio MapBiomas e trabalhos individuais ou em co-autoria, estudantes de escolas, nível técnico, graduação, pós-graduação, profissionais, etc. Serão aceitos estudos, artigos, monografias dissertações ou teses.

O prêmio tem duas categorias. A Categoria Jovem é para trabalho cujo autor principal tenha até 30 anos e ainda não completou a graduação ou se graduou ao longo de 2018. Na Categoria Geral podem concorrer trabalhos independentemente da idade e nível de escolaridade do autor principal.

Serão premiados quatro trabalhos, com valores de R$ 3.000 a R$ 10.000. As inscrições estão abertas até o dia 31 de janeiro de 2019. Os trabalhos podem ser centrados em um projeto ou numa obra específica”, afirma Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas. “Pode ser uma análise de um determinado modal. Ou um corte territorial. Até mesmo uma pesquisa de cenários. É possível concorrer com trabalhos inéditos ou que tenham sido publicados a partir de 2017.

Os trabalhos precisam usar as séries históricas de uso e cobertura da terra no Brasil, com dados ou citação do projeto MapBiomas. O MapBiomas (Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil) é uma iniciativa conjunto de dezenas de universidades, ONGs e empresas de tecnologia. Juntas, elas geram a maior base de dados do país sobre uso da terra e alterações nos biomas. Na plataforma do MapBiomas é possível analisar os dados de cobertura e uso da terra por diversos recortes territoriais como estados, biomas, municípios, bacias hidrográficas e áreas protegidas.

Recentemente foram inseridas informações de infraestrutura de transporte e energia para observar as mudanças de uso do solo no entorno (5, 10 e 20 Km) de estradas, ferrovias, portos, aeroportos, usinas, linhas de transmissão, etc.

“A iniciativa contribui para estimular estudantes e jovens profissionais a se dedicar a uma questão ainda não adequadamente compreendida - os impactos, ao longo do tempo, no uso do solo e na cobertura vegetal, decorrentes de grandes de obras de infraestrutura de energia e transporte”, diz André Ferreira, diretor presidente do IEMA.

O Prêmio MapBiomas quer encontrar e dar visibilidade a estudos e pesquisadores de todas as idades e níveis educacionais que estão produzindo conhecimento sobre as transformações no território brasileiro" diz Jaqueline Ferreira, coordenadora Instituto Escolhas.

Para Tasso Azevedo, o prêmio enriquece do conhecimento para o desenvolvimento sustentável no país. O prêmio visa estimular a reflexão e a análise sobre a relação entre a infraestrutura de energia e transporte com a dinâmica de mudança de cobertura e uso do solo no território brasileiro,diz. “Esperamos que esses estudos e conhecimentos possam contribuir para a aplicabilidade em políticas públicas e planejamento do território brasileiro.”

Mais informações sobre o Prêmio MapBiomas estão disponíveis no site do
MapBiomas ( www.mapbiomas.org/premio ).

Dúvidas e esclarecimentos pelo e-mail - premio@mapbiomas.org


MAPBIOMAS DISPONIBILIZA COLEÇÃO ATUALIZADA DE MAPAS ANUAIS DE COBERTURA E USO DA TERRA DO BRASIL DE 2000-2016 

Sábado, 02 de Março de 2019, 12:31h
09/01/2018

O Projeto MapBiomas disponibilizou hoje uma revisão dos mapas anuais de cobertura e uso do terra no Brasil para o período 2000-2016. A Coleção 2.3 atualiza os dados da Coleção 2 lançada em abril de 2017.

Os principais aspectos desta revisão incluem:

  1. Simplificação da Legenda - algumas classes de legenda, especialmente no terceiro nível de detalhamento, que apresentavam similaridades espectral com outras classes ou estavam identificadas apenas em alguns biomas foram agregadas. Também foram adequados os termos para classes de vegetação nativa para melhor compreensão e entendimento. As mudanças visam tornar mais prática e direta a compreensão dos mapas
  2.  Análise da Acurácia - foi realizada uma análise completa de acurácia dos mapas de cobertura e uso do solo, abrangendo todos os anos e classe da legenda dos seus diferentes níveis. A acurácia geral da coleção 2.3 foi de 79,3% no nível 1 da legenda, com erro de alocação 9,5% e erro de área 11,2%. Na plataforma online é possível agora consultar a acurácia por classe, ano, bioma e nível da legenda.
  3.  Consistência da série temporal - as variações das classes de cobertura e uso ganharam mais consistência espacial ao longo da série temporal reduzindo os ruídos especialmente dos dados de transição de classes entre os anos, em função da adoção de árvores de decisão automáticas baseadas no algoritmo Random Forest.
  4.  Simplificação do acesso aos mapas e dados para análise - várias melhorias foram implementadas no módulo de visualização e acesso aos dados que incluem: (i) visualização comparativa de classificação e mosaico de imagens de dois anos em todo o território; (ii) disponibilização de mapas de cobertura de todos os anos em um único arquivo para download por bioma; e (iii) dados estatísticos de cobertura e transições consolidados por município, estado e biomas, disponíveis para download em planilha Excel. Estas melhorias são consequência de avanços obtidos nos algoritmos de processamento com destaque para (i) inclusão de uma nova abordagem para a classificação automática que utilizou os resultados da Coleção 2 para treinar o algoritmo de classificação Random Forest; e (ii) inclusão de  novas etapas de filtro temporal e espacial após o processo de integração dos mapas temáticos. Estes avanços estão descritos nos ATBDs (documentos base do algoritmo) também disponíveis na plataforma
  5. Grande parte das melhorias desta coleção foram inspiradas nas demandas, críticas e sugestões oriundas das reuniões do Comitê Científico do MapBiomas, dos workshops temáticos promovidos pelo projeto e, principalmente, das contribuições de dezenas de usuários da plataforma que tem utilizado os dados para inúmeras aplicações.

Para fortalecer este vínculo com os usuários agora é possível criar um perfil de acesso na plataforma do MapBiomas. A partir desta perfil será possível elaborar e salvar mapas com os territórios de seu interesse e gerar um URL para incluir estes mapas em suas próprias páginas na internet. Este perfil de acesso também permitirá aos usuários se manterem atualizados sobre as novidades do MapBiomas.

A equipe do MapBiomas trabalha agora na preparação da Coleção 3 prevista para ser lançada ainda em 2018 com mapas anuais de cobertura e uso do solo cobrindo o período de 1985 a 2017.