{"id":4289,"date":"2024-07-05T12:17:13","date_gmt":"2024-07-05T12:17:13","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=4289"},"modified":"2024-07-05T12:17:13","modified_gmt":"2024-07-05T12:17:13","slug":"ate-25-da-vegetacao-nativa-do-brasil-pode-estar-degradada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/2024\/07\/05\/ate-25-da-vegetacao-nativa-do-brasil-pode-estar-degradada\/","title":{"rendered":"MapBiomas lan\u00e7a plataforma in\u00e9dita que pela primeira vez avalia a degrada\u00e7\u00e3o em todos os biomas brasileiros\u00a0"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>At\u00e9 25% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil pode estar degradada<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5 de julho de 2024<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova plataforma da rede MapBiomas aponta que entre 1986 e 2021 o Brasil apresentou entre 11% e 25% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa suscet\u00edvel ao processo de degrada\u00e7\u00e3o. Isso corresponde a uma \u00e1rea que pode ir de 60,3 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 135 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais da metade (64%) do Brasil est\u00e1 coberto por vegeta\u00e7\u00e3o nativa. A vers\u00e3o beta da plataforma de vetores de degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas permite gerar de forma in\u00e9dita cen\u00e1rios sobre o impacto de diversos fatores que podem causar a degrada\u00e7\u00e3o sobre esse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o em todo territ\u00f3rio brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa \u00e9 a primeira vez que a degrada\u00e7\u00e3o pode ser avaliada de forma mais ampla e em todos os biomas brasileiros, mas sabemos que esse processo de degrada\u00e7\u00e3o ocorre em outros tipos de cobertura, como na agricultura e pastagem, al\u00e9m dos solos e na \u00e1gua, onde pretendemos avan\u00e7ar tamb\u00e9m com essas informa\u00e7\u00f5es no MapBiomas nos pr\u00f3ximos anos\u201d, destaca Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/07\/Fact_Degradacao_05.07_v5_06h15.pdf\">&gt;&gt; Acesse os principais Destaques do m\u00f3dulo Degrada\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os vetores de degrada\u00e7\u00e3o considerados pela equipe do MapBiomas nesta primeira edi\u00e7\u00e3o da plataforma incluem o tamanho e o isolamento dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, as suas \u00e1reas de borda, a frequ\u00eancia do fogo e o tempo desde a \u00faltima queimada, al\u00e9m da idade da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento se limita \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o nativa, n\u00e3o incluindo a degrada\u00e7\u00e3o em \u00e1reas antropizadas, tais como lavouras e pastagens. Tamb\u00e9m n\u00e3o foram analisadas \u00e1reas de vo\u00e7orocas, desertifica\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de areais. Isso significa que os n\u00fameros apurados n\u00e3o refletem a totalidade da degrada\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o bioma mais degradado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os maiores valores proporcionais de \u00e1reas suscet\u00edveis ao processo de degrada\u00e7\u00e3o s\u00e3o observados na Mata Atl\u00e2ntica. Considerando o intervalo entre um cen\u00e1rio mais restritivo e outro mais amplo, esses valores podem variar entre 36% (12 milh\u00f5es de hectares) e 73% (24 milh\u00f5es de hectares) da \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa que ainda resta no bioma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A alta fragmenta\u00e7\u00e3o dos remanescentes florestais na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um fator importante na constru\u00e7\u00e3o desses valores. A combina\u00e7\u00e3o de vetores como \u00e1rea de borda, tamanho dos fragmentos e isolamento dos remanescentes mostra que grande parte do bioma est\u00e1 vulner\u00e1vel \u00e0s press\u00f5es antr\u00f3picas, que podem levar tanto \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o como at\u00e9 ao colapso de \u00e1reas importantes para a conserva\u00e7\u00e3o do bioma&#8221;, alerta Natalia Crusco, da equipe da Mata Atl\u00e2ntica do MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Lan\u00e7amento da vers\u00e3o beta do m\u00f3dulo de degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iHMo2IHzjTY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cerrado tem a maior \u00e1rea absoluta de degrada\u00e7\u00e3o no Brasil&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O intervalo com maior \u00e1rea absoluta degradada do Brasil fica no Cerrado, onde a degrada\u00e7\u00e3o pode ir de 18,3 milh\u00f5es de hectares a 43 milh\u00f5es de hectares \u2013 \u00e1rea que corresponde a 19,2% e 45,3% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa remanescente no bioma, respectivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO Cerrado \u00e9 um bioma com forte presen\u00e7a da agropecu\u00e1ria, j\u00e1 bastante fragmentado, de modo que as \u00e1reas de borda s\u00e3o importantes vetores na dissemina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, como por exemplo gram\u00edneas africanas. Essas gram\u00edneas s\u00e3o uma das principais amea\u00e7as para o bioma, pois al\u00e9m de diminu\u00edrem a biodiversidade, aumentam significativamente a biomassa dispon\u00edvel e favorecem a ocorr\u00eancia de queimadas mais frequentes e intensas do que aquelas que o bioma est\u00e1 adaptado\u201d, explica Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM que faz parte da equipe do Cerrado do MapBiomas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pantanal: o fogo como fator de degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Pantanal, a \u00e1rea degradada pode variar de 800 mil hectares (6,8%) at\u00e9 2,1 milh\u00f5es de hectares (quase 19%). Embora seja um bioma que convive com o fogo, a incid\u00eancia de inc\u00eandios nos \u00faltimos cinco anos fez com que 9% das forma\u00e7\u00f5es florestais no Pantanal, que s\u00e3o \u00e1reas sens\u00edveis ao fogo, tenham sido prejudicadas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eduardo Rosa, da equipe Pantanal do MapBiomas, ressalta que alguns dos vetores de degrada\u00e7\u00e3o do Pantanal que extrapolam a an\u00e1lise aqui proposta devem levar em considera\u00e7\u00e3o todo o entorno do bioma, uma vez que todos os rios que irrigam naturalmente a plan\u00edcie pantaneira nascem em \u00e1reas de planalto. &#8220;A remo\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para a expans\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria desprotege o solo e interfere na distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e sedimentos. A quantidade e a qualidade de \u00e1gua que chega na plan\u00edcie depende, ainda, de barragens e hidrel\u00e9tricas que alteram os fluxos naturais da \u00e1gua&#8221;, detalha. &#8220;Quest\u00f5es clim\u00e1ticas relativas a precipita\u00e7\u00e3o e temperatura regulam as secas e inunda\u00e7\u00f5es. O aumento de per\u00edodos de estiagem tem dificultado a resili\u00eancia do ecossistema pantaneiro&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais da metade da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Pampa pode apresentar algum n\u00edvel de degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do Pampa, a \u00e1rea degradada pode ocupar mais da metade do que resta de vegeta\u00e7\u00e3o nativa nesse bioma, podendo ocupar de 1,7 milh\u00e3o de hectares (quase 19%) a 4,8 milh\u00f5es de hectares (55%).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO Pampa \u00e9 um bioma que sofre forte efeito antr\u00f3pico, com uma ocupa\u00e7\u00e3o bastante densa e antiga. O fato dos usos antr\u00f3picos estarem distribu\u00eddos de modo relativamente homog\u00eaneo na paisagem amplia muito a exposi\u00e7\u00e3o aos efeitos de borda. Al\u00e9m disso, pelo menos um quarto da vegeta\u00e7\u00e3o campestre, t\u00edpica do bioma, \u00e9 secund\u00e1ria, estando em diferentes est\u00e1gios de recupera\u00e7\u00e3o. O panorama do Pampa em termos de degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante cr\u00edtico, especialmente porque ainda n\u00e3o foram avaliados vetores notadamente importantes, como a invas\u00e3o por gram\u00edneas africanas e o sobrepastejo por excesso de carga animal\u201d, comenta Eduardo V\u00e9lez, da equipe do Pampa MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na Caatinga, a degrada\u00e7\u00e3o pode desencadear processos de desertifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estima-se que na Caatinga pode haver 9 milh\u00f5es de hectares (pouco mais de 18%) a 26,7 milh\u00f5es de hectares (quase 54%) de vegeta\u00e7\u00e3o possivelmente degradada. A an\u00e1lise das \u00e1reas de fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa&nbsp; deste bioma, sob diferentes classes de tamanho dos fragmentos (3, 5, 10, 25, 50, 75 hectares), revela que houve um aumento na fragmenta\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 37 anos. Em m\u00e9dia, independentemente da classe de tamanho, ocorreu um incremento de 1% na \u00e1rea de fragmentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Na Caatinga esses vetores de degrada\u00e7\u00e3o associados a mudan\u00e7as de uso da terra e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e1ridas e semi\u00e1ridas podem contribuir para aumentar os limites das \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, onde s\u00e3o exauridas as condi\u00e7\u00f5es naturais, causando a deteriora\u00e7\u00e3o do solo, chegando ao colapso&#8221;, ressalta Deorgia Souza, da equipe Caatinga do MapBiomas. \u201cO mapeamento do solo exposto na Caatinga \u00e9 um dos indicadores do processo de desertifica\u00e7\u00e3o e que pretendemos incluir na pr\u00f3xima vers\u00e3o da plataforma\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amaz\u00f4nia tem a segunda maior \u00e1rea degradada do Brasil&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maior bioma brasileiro, a Amaz\u00f4nia, exibe percentuais baixos: de 5,4% a 9,8%. Em extens\u00e3o, no entanto, os n\u00fameros a colocam na vice-lideran\u00e7a dos biomas mais degradados: de quase 19 milh\u00f5es de hectares a 34 milh\u00f5es de hectares \u2013 extens\u00e3o menor apenas que a do Cerrado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOutros vetores como extra\u00e7\u00e3o madeireira, abertura de estradas e estresse h\u00eddrico por mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para entender o processo de degrada\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica\u201d, aponta Carlos Souza Jr., da equipe da Amaz\u00f4nia do MapBiomas. &#8220;Estes s\u00e3o indicativos adicionais de que a \u00e1rea degradada no Brasil pode ser maior do que foi poss\u00edvel identificar com esta plataforma&#8221;, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que \u00e9 degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vegeta\u00e7\u00e3o nativa (florestas, savanas, campos, \u00e1reas pantanosas etc.) est\u00e1 sujeita a dois tipos principais de amea\u00e7as: a supress\u00e3o (desmatamento) e a degrada\u00e7\u00e3o. O primeiro caso \u00e9 quando ela \u00e9 totalmente removida, sendo substitu\u00edda por algum uso antr\u00f3pico (ex. agricultura). No segundo caso, ela n\u00e3o \u00e9 removida, mas sofre o efeito de fatores que alteram a sua composi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e seu funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os vetores de degrada\u00e7\u00e3o considerados pela equipe do MapBiomas nesta primeira edi\u00e7\u00e3o da plataforma incluem o tamanho e o isolamento dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, as suas \u00e1reas de borda, a frequ\u00eancia do fogo, o tempo desde a \u00faltima queimada e a idade da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. Existem outros vetores que tamb\u00e9m levam \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, como a invas\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, o corte seletivo de madeira, o sobrepastejo, o pisoteio excessivo por rebanhos animais entre outros, mas que por limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas ainda n\u00e3o puderam ser inclu\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As <strong>\u00e1reas de borda<\/strong>, ou seja, as \u00e1reas de contato entre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e usos antr\u00f3picos, s\u00e3o vetores de degrada\u00e7\u00e3o porque a vegeta\u00e7\u00e3o nativa fica mais exposta aos efeitos negativos dos ventos, da radia\u00e7\u00e3o solar e da deriva de agrot\u00f3xicos aplicados nas lavouras adjacentes. Al\u00e9m disso, pode sofrer taxas de preda\u00e7\u00e3o de animais mais elevadas e \u00e9 mais suscet\u00edvel aos inc\u00eandios induzidos por humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro vetor avaliado &#8211; o <strong>tamanho dos fragmentos<\/strong> de vegeta\u00e7\u00e3o nativa &#8211; tem rela\u00e7\u00e3o direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. \u201cQuanto menor o fragmento, maior o risco de extin\u00e7\u00f5es locais de esp\u00e9cies, menor a probabilidade de recoloniza\u00e7\u00e3o por indiv\u00edduos vindos de outros fragmentos e maior \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o dos efeitos de borda. Esse problema \u00e9 ainda mais grave se o fragmento pequeno de vegeta\u00e7\u00e3o nativa estiver mais distante de fragmentos grandes. O <strong>isolamento <\/strong>compromete o fluxo g\u00eanico, impedindo a chegada de novas esp\u00e9cies ou a reposi\u00e7\u00e3o daquelas que se extinguiram localmente\u201d, explica Marcos Rosa, coordenador t\u00e9cnico do MapBiomas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>fogo <\/strong>na vegeta\u00e7\u00e3o nativa pode ou n\u00e3o representar um fator de degrada\u00e7\u00e3o. Isso porque alguns tipos de vegeta\u00e7\u00e3o naturais, como campos e savanas, possuem uma hist\u00f3ria evolutiva de conviv\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o ao fogo. Em contraste, os ecossistemas florestais n\u00e3o s\u00e3o adaptados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o frequente ao fogo e s\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o causada por inc\u00eandios. O fogo nessas \u00e1reas resulta em perda de biodiversidade, degrada\u00e7\u00e3o do solo e em altera\u00e7\u00e3o na estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria<\/strong> \u00e9 \u00e1rea que foi desmatada anteriormente e que est\u00e1 em processo de regenera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa. As funcionalidades da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria para o clima, solo e \u00e1gua difere daqueles da vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Com o passar dos anos, a estrutura e a funcionalidade dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria tendem a melhorar devido ao aumento da diversidade e a composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos de cada um desses vetores podem ser analisados isoladamente, ou em conjunto. Devido \u00e0s particularidades de cada bioma, a plataforma permite que os usu\u00e1rios tenham op\u00e7\u00e3o de escolher os intervalos que representam a prov\u00e1vel ocorr\u00eancia de degrada\u00e7\u00e3o na \u00e1rea desejada. Para \u00e1rea de borda, est\u00e3o dispon\u00edveis na plataforma classes de 30m a 1000m. J\u00e1 o tamanho dos fragmentos pode variar de menores de 3 hectares at\u00e9 75 hectares. A idade da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, frequ\u00eancia e tempo desde o \u00faltimo fogo variam de 1 a 37 anos. Com isso, a plataforma permite at\u00e9 4,9 milh\u00f5es de diferentes cruzamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que, se revertido, permite a recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Mas se n\u00e3o for interrompido, pode levar a um colapso, ou seja, o ponto a partir do qual n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel recuperar as caracter\u00edsticas originais&#8221;, destaca Ane Alencar, diretora de ci\u00eancia do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO panorama revelado na plataforma sobre os poss\u00edveis cen\u00e1rios de degrada\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa mostra que, al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, tamb\u00e9m \u00e9 importante cuidar das condi\u00e7\u00f5es atuais dos remanescentes que ainda existem nos diferentes biomas brasileiros, bem como restaurar as \u00e1reas degradadas\u201d, finaliza Julia Shimbo, pesquisadora do IPAM e coordenadora cient\u00edfica do MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/07\/Fact_Degradacao_05.07_v5_06h15.pdf\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/07\/capa-degradacao.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4304\" \/><\/a><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 25% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil pode estar degradada 5 de julho de 2024 Uma nova plataforma da rede MapBiomas aponta que entre 1986 e 2021 o Brasil apresentou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4302,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-4289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-initiatives"],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"trp-custom-language-flag":false,"post-thumbnail":false},"uagb_author_info":{"display_name":"admin-mapbiomas","author_link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/author\/admin-mapbiomas\/"},"uagb_comment_info":93,"uagb_excerpt":"At\u00e9 25% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil pode estar degradada 5 de julho de 2024 Uma nova plataforma da rede MapBiomas aponta que entre 1986 e 2021 o Brasil apresentou [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4289\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}