{"id":2438,"date":"2021-09-22T15:50:00","date_gmt":"2021-09-22T15:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=2438"},"modified":"2021-09-22T15:50:00","modified_gmt":"2021-09-22T15:50:00","slug":"hub-de-aves-migratorias-pampa-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-perde-vegetacao-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/2021\/09\/22\/hub-de-aves-migratorias-pampa-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-perde-vegetacao-natural\/","title":{"rendered":"Hub de aves migrat\u00f3rias, Pampa \u00e9 o bioma brasileiro que mais perde vegeta\u00e7\u00e3o natural"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">O Pampa foi o bioma que mais perdeu vegeta\u00e7\u00e3o nativa nos \u00faltimos 36 anos proporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o ao total de sua \u00e1rea, segundo os mais recentes dados do MapBiomas obtidos a partir da an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite entre 1985 e 2020. O decr\u00e9scimo de 21,4% registrado entre 1985 e 2020 coloca o segundo menor bioma brasileiro \u00e0 frente do Cerrado (-19,8%), Pantanal (-12,3%) e Amaz\u00f4nia (-11,6%). Como o Pampa funciona como um \u201chub\u201d, para o qual convergem v\u00e1rias rotas de migra\u00e7\u00e3o nacionais e internacionais, com destinos que incluem a Am\u00e9rica do Norte, o sul da Am\u00e9rica do Sul e as regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste do Brasil e o norte da Argentina, a conserva\u00e7\u00e3o das paisagens naturais do Pampa \u00e9 crucial para m\u00faltiplas esp\u00e9cies migrat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bioma Pampa, especialmente na sua por\u00e7\u00e3o leste, \u00e9 considerado uma regi\u00e3o de relev\u00e2ncia internacional para diversas esp\u00e9cies de aves migrat\u00f3rias. A exist\u00eancia de um mosaico de ecossistemas naturais incluindo lagoas costeiras, praias, dunas, campos, matas de restinga e \u00e1reas pantanosas atrai uma not\u00e1vel concentra\u00e7\u00e3o de aves em diferentes esta\u00e7\u00f5es do ano, em busca de alimento ou de s\u00edtios de reprodu\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os migrantes ne\u00e1rticos, esp\u00e9cies que se reproduzem no hemisf\u00e9rio norte (Canad\u00e1 e Estados Unidos), voam para o Pampa no ver\u00e3o em busca de alimento. Mais de uma dezena de esp\u00e9cies s\u00e3o visitantes de ver\u00e3o, incluindo as batu\u00edras e os ma\u00e7aricos, tamb\u00e9m denominadas de aves de praia, o batuiru\u00e7u (Pluvialis dominica), o ma\u00e7arico-de-perna-amarela (Tringa flavipes), o ma\u00e7arico-grande-de-perna-amarela (Tringa melanoleuca) e o ma\u00e7arico-acanelado (Tryngites subruficollis).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 as esp\u00e9cies migrantes austrais voam at\u00e9 o Pampa, onde permanecem somente no outono e no inverno. Elas partem desde a Patag\u00f4nia, sul do Chile, Terra do Fogo e Ilhas Malvinas em dire\u00e7\u00e3o ao Pampa no inverno, fugindo assim dos rigores do inverno austral. Dentre estas esp\u00e9cies est\u00e3o a batu\u00edra-de-peito-avermelhado (Charadrius modestus), o pedreiro-dos-andes (Cinclodes fuscus), o colegial (Lessonia rufa) e a andorinha-chilena (Tachycineta meyeni).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras esp\u00e9cies s\u00e3o residentes de ver\u00e3o e abandonam temporariamente o Pampa com a chegada dos meses frios para diversos destinos. Muitas partem para o norte da Am\u00e9rica do Sul e Am\u00e9rica Central como as andorinhas (Progne tapera e P. chalybea), a tesourinha (Tyrannus savana) e o suiriri (T. melancholicus). Outras migram no sentido leste-oeste com destino \u00e0s prov\u00edncias argentinas de Santa F\u00e9, Entre R\u00edos e Corrientes. Algumas aves aqu\u00e1ticas transitam do Pampa para o Pantanal, incluindo o cabe\u00e7a-seca (Mycteria americana), o colhereiro (Platalea ajaja), o gavi\u00e3o-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) e o pato-de-crista (Sarkidiornis melanotos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o do uso antr\u00f3pico sobre a vegeta\u00e7\u00e3o natural do Pampa acentuou-se na \u00faltima d\u00e9cada, quando tamb\u00e9m foi poss\u00edvel notar o come\u00e7o da mudan\u00e7a do perfil econ\u00f4mico do uso do solo. \u201cA substitui\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o campestre pela agricultura favorece a perda de biodiversidade e libera\u00e7\u00e3o de carbono na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um desvio de uma voca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica natural do Pampa\u201d, alerta Heinrich Hasenack, coordenador do mapeamento do Pampa.&nbsp; \u201cAo contr\u00e1rio da Amaz\u00f4nia ou do Cerrado, onde \u00e9 preciso desmatar para criar gado, no Pampa a vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u00e9 um pasto natural, o que permite que a pecu\u00e1ria se desenvolva preservando a paisagem\u201d, explica. Resultados de pesquisas mostram que pr\u00e1ticas de manejo adequadas permitem retorno econ\u00f4mico similar ao do cultivo de gr\u00e3os, com a vantagem de preservar a biodiversidade e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos 36 anos, o Pampa perdeu 2,5 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, que responde por menos da metade (46,1%) do territ\u00f3rio. Forma\u00e7\u00f5es campestres ocupavam 46,2% do territ\u00f3rio em 1985. Em 2020, eram apenas 32,6%. Nesse per\u00edodo, a&nbsp; agricultura ganhou mais de 1,9 milh\u00e3o de hectares de \u00e1rea do Pampa.&nbsp; A atividade, que ocupava 29,8% do bioma em 1985, passou a usar 39,9% do territ\u00f3rio em 2020.&nbsp; No ano passado, era o principal uso dos 44,1% antropizados do Pampa e segue uma tend\u00eancia de crescimento alto a cada ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Unidades de conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Pampa possui muitas esp\u00e9cies campestres por metro quadrado, mesmo quando ocupado por gado, favorecendo a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e do carbono estocado. Embora a agricultura, de um modo geral, tenha \u00f3tima produtividade, em algumas circunst\u00e2ncias acaba sendo introduzida em locais com menor aptid\u00e3o do que a pecu\u00e1ria. Outro fato preocupante \u00e9 que o Pampa tem a menor propor\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o dentre todos os biomas brasileiros, com apenas 3% do territ\u00f3rio protegido. Dos quais, se descontarmos as \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, uma categoria com menor grau de prote\u00e7\u00e3o, esse percentual cai para 0,6%. Existem regi\u00f5es do Pampa que j\u00e1 est\u00e3o excessivamente descaracterizadas, a ponto de colocar em risco a pr\u00f3pria capacidade de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica com as variantes gen\u00e9ticas t\u00edpicas dessas regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cApesar de estar na tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha, na hist\u00f3ria da ocupa\u00e7\u00e3o do bioma e de ser uma atividade que, no Pampa, \u00e9 mais alinhada aos desafios do S\u00e9culo 21 de preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono, a pecu\u00e1ria sobre campo nativo est\u00e1 perdendo espa\u00e7o para a agricultura, notadamente a soja\u201d, detalha Hasenack.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o da agricultura sobre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa pode ser notado em todo o bioma, mas foi mais acentuado nas regi\u00f5es da Fronteira Oeste, o Planalto M\u00e9dio\/Miss\u00f5es, Zona Costeira e leste da Campanha. Os cinco munic\u00edpios que mais perderam vegeta\u00e7\u00e3o natural nos \u00faltimos 36 anos foram S\u00e3o Gabriel, Alegrete, Tupanciret\u00e3, Dom Pedrito e Bag\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do mapeamento do bioma tamb\u00e9m trazem dados in\u00e9ditos sobre as queimadas e a superf\u00edcie de \u00e1gua. No Pampa, ao contr\u00e1rio dos demais biomas, as queimadas t\u00eam pouca express\u00e3o com uma m\u00e9dia anual de 92,5 km2. V\u00e1rios fatores concorrem para explicar a baixa quantidade de queimadas no Pampa como a aus\u00eancia de uma esta\u00e7\u00e3o seca, o baixo ac\u00famulo de biomassa na vegeta\u00e7\u00e3o campestre por conta da atividade pastoril e o fato do fogo n\u00e3o ser utilizado culturalmente como uma pr\u00e1tica de manejo nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A din\u00e2mica da superf\u00edcie da \u00e1gua entre 1985 e 2020 mostra uma tend\u00eancia de estabilidade ao longo dos 36 anos mapeados. Quase 10% do Pampa \u00e9 ocupado por \u00e1gua: com 1,8 milh\u00f5es de hectares em 2020. A maior parte se concentra na zona costeira, caracterizada pela presen\u00e7a de in\u00fameras lagoas, sendo que a laguna dos Patos, a lagoa Mirim e a lagoa Mangueira, armazenam 81% do total de superf\u00edcie de \u00e1gua do bioma no Pampa Apesar da estabilidade na superf\u00edcie de \u00e1gua, o mapeamento revela que na regi\u00e3o da Fronteira Oeste e da Campanha houve um incremento de \u00e1gua com a implanta\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes para irriga\u00e7\u00e3o, principalmente do arroz. Enquanto que nas por\u00e7\u00f5es centrais e a leste do bioma foram detectadas v\u00e1rias localidades com redu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de \u00e1gua dispon\u00edvel.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre o MapBiomas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iniciativa multi-institucional que processa imagens de sat\u00e9lites com intelig\u00eancia artificial e tecnologia de alta resolu\u00e7\u00e3o em uma rede colaborativa de especialistas, universidades, ONGs, institui\u00e7\u00f5es e empresas de tecnologia para a cria\u00e7\u00e3o de s\u00e9ries hist\u00f3ricas e mapeamento de uso e cobertura da terra no Brasil. A UFRGS, com a colabora\u00e7\u00e3o da GeoKarten, s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pelo mapeamento da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no bioma Pampa dentro da rede MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acesse os&nbsp;<a href=\"https:\/\/mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com\/Fact_Sheet_3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">principais destaques da Cole\u00e7\u00e3o 6 do bioma Pampa<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baixe os infogr\u00e1ficos\u00a0<a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/infograficos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui:<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/MBI-Infografico-6.0-PTBR-pampa-scaled.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saiba como foi a apresenta\u00e7\u00e3o dos dados do Pampa:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-embed-handler wp-block-embed-embed-handler wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Brasil Revelado 1985-2020: As transforma\u00e7\u00f5es no Pampa nos \u00faltimos 36 anos\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0cG7e9vj3w8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pampa foi o bioma que mais perdeu vegeta\u00e7\u00e3o nativa nos \u00faltimos 36 anos proporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o ao total de sua \u00e1rea, segundo os mais recentes dados do MapBiomas obtidos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1402,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-2438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-initiatives"],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"trp-custom-language-flag":false,"post-thumbnail":false},"uagb_author_info":{"display_name":"admin-mapbiomas","author_link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/author\/admin-mapbiomas\/"},"uagb_comment_info":18,"uagb_excerpt":"O Pampa foi o bioma que mais perdeu vegeta\u00e7\u00e3o nativa nos \u00faltimos 36 anos proporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o ao total de sua \u00e1rea, segundo os mais recentes dados do MapBiomas obtidos [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2438\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}