{"id":2390,"date":"2021-11-05T15:34:00","date_gmt":"2021-11-05T15:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=2390"},"modified":"2021-11-05T15:34:00","modified_gmt":"2021-11-05T15:34:00","slug":"crescimento-das-favelas-no-brasil-entre-1985-e-2020-equivale-a-11-lisboas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/2021\/11\/05\/crescimento-das-favelas-no-brasil-entre-1985-e-2020-equivale-a-11-lisboas\/","title":{"rendered":"Crescimento das favelas no Brasil entre 1985 e 2020 equivale a 11 Lisboas"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 1985 e 2020, as \u00e1reas urbanizadas no pa\u00eds dobraram, passando de 2,1 milh\u00f5es de hectares para 4,1 milh\u00f5es de hectares. A expans\u00e3o urbana no Brasil tem se dado a passos largos: uma taxa anual de 1,97%, superior \u00e0 taxa de crescimento da popula\u00e7\u00e3o, de 1,45%. Esses dados fazem parte do levantamento sobre \u00e1reas urbanizadas feito a partir de imagens de sat\u00e9lite captadas entre 1985 e 2020 que&nbsp;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/QU-G0HhyO30\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o MapBiomas divulgou nesta sexta-feira, 5 de outubro, em seu canal no YouTube.<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Liderada por S\u00e3o Paulo, com 218.985 hectares, as 20 maiores aglomera\u00e7\u00f5es populacionais do Pa\u00eds concentram 30% das \u00e1reas urbanizadas. Rio de Janeiro (174.534 ha), Bras\u00edlia (89.243 ha), Belo Horizonte (87.121) e Curitiba (74.239 ha) completam as cinco maiores em \u00e1rea.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todo o pa\u00eds, as \u00e1reas informais cresceram o equivalente a 95 mil campos de futebol entre 1985 e 2020.&nbsp; Esse crescimento equivale a tr\u00eas vezes a \u00e1rea de Salvador ou 11 vezes a \u00e1rea de Lisboa, em Portugal.&nbsp;&nbsp;Ao todo, 4,66% do crescimento de \u00e1reas urbanizadas entre 1985 e 2020 t\u00eam caracter\u00edsticas de informalidade.&nbsp;A an\u00e1lise temporal das \u00e1reas ocupadas informalmente em todo o pa\u00eds mostra que elas s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s pol\u00edticas econ\u00f4micas e sociais, crescendo mais em per\u00edodos de retra\u00e7\u00e3o do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Amaz\u00f4nia lidera o percentual de crescimento das ocupa\u00e7\u00f5es informais do territ\u00f3rio: 18,2% do crescimento urbano nesse bioma foi em \u00e1reas informais. Os estados desse bioma tamb\u00e9m lideram quando o total da \u00e1rea \u00e9 analisado. No estado do&nbsp; Amazonas, a informalidade responde por 45% da \u00e1rea urbanizada; no Amap\u00e1, 22%; no Par\u00e1, 14%; e no Acre, 12,6%.&nbsp; Apenas o Esp\u00edrito Santo, com 21,5%, tem maior participa\u00e7\u00e3o da informalidade no total de \u00e1rea urbanizada de seu territ\u00f3rio do que os estados da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar o quanto da \u00e1rea total urbanizada \u00e9 ocupada informalmente, Manaus, Bel\u00e9m e Salvador se destacam. Nas duas grandes capitais da regi\u00e3o norte, a informalidade tem sido a regra nos \u00faltimos 36 anos, j\u00e1 que, nos dois casos, os percentuais se mant\u00eam acima dos 50%.&nbsp; Bel\u00e9m tem 51% de sua \u00e1rea urbanizada ocupada pela informalidade, enquanto em Manaus esse percentual \u00e9 de 48%.&nbsp; Quando inclu\u00edmos os limites das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) definidas no plano diretor da cidade, Salvador aproxima-se desse padr\u00e3o, com 42%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As imagens de sat\u00e9lite tamb\u00e9m permitiram identificar as ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas com declive maior que 30%, ou seja, que est\u00e3o mais sujeitas a deslizamentos.&nbsp; Elas est\u00e3o predominantemente localizadas&nbsp;em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Esp\u00edrito Santo e S\u00e3o Paulo. Por\u00e9m elas j\u00e1 come\u00e7am a ocorrer no Amazonas, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul, Alagoas, Pernambuco e Bahia. Ao todo, o crescimento da ocupa\u00e7\u00e3o urbana em \u00e1reas com alta declividade foi da ordem de 40 mil ha &#8211; ou seja, 1 em cada 100 ha j\u00e1 est\u00e1 em \u00e1reas de risco por declividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA combina\u00e7\u00e3o desses dois dados deve acender uma luz amarela para os gestores p\u00fablicos porque eles criam as condi\u00e7\u00f5es perfeitas para desastres urbanos\u201d, explica Julio Cesar Pedrassoli, um dos coordenadores do mapeamento de infraestrutura urbana do MapBiomas. \u201cPor um lado, temos grandes \u00e1reas sem os servi\u00e7os p\u00fablicos adequados; por outro, risco de acidentes potencializado pela crescente ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos. Olhar para as ocupa\u00e7\u00f5es informais pelo \u00e2ngulo da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as do clima \u00e9 fundamental para evitarmos trag\u00e9dias\u201d, alerta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a Mata Atl\u00e2ntica ainda concentre mais da metade das \u00e1reas urbanizadas do Brasil (54,7%), o maior crescimento registrado nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas se deu na Amaz\u00f4nia, Caatinga e Cerrado &#8211; todos com taxas de crescimento anual superior \u00e0 m\u00e9dia nacional: 2,5% a.a., 2,53% a.a. e 2,08% a.a., respectivamente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento mostrou que das \u00e1reas urbanizadas em 2020, pouco mais de um ter\u00e7o (34%) eram \u00e1reas de pastagens e \u00e1reas de uso misto de agricultura e pastagem e 13% eram de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em 1985. As \u00e1reas utilizadas para a expans\u00e3o urbana refletem o uso do solo predominante em cada regi\u00e3o. Na regi\u00e3o Norte, por exemplo, 32% do avan\u00e7o se deu sobre vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u2013 quase tr\u00eas vezes a m\u00e9dia nacional. No sul, quase 10% das \u00e1reas urbanizadas em 2020, eram dedicadas \u00e0 agricultura em 1985, enquanto que na m\u00e9dia brasileira, esse percentual \u00e9 de apenas 4%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Cerrado, que j\u00e1 det\u00e9m um quinto das \u00e1reas urbanizadas do pa\u00eds, foi o bioma que mais perdeu vegeta\u00e7\u00e3o nativa para a expans\u00e3o urbana. Dos mais de 388 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa que foram convertidos para \u00e1reas urbanizadas ano-a-ano, 33% (127 mil hectares) estavam no Cerrado. Em segundo lugar vem a Amaz\u00f4nia (quase 92 mil hectares). Em termos percentuais, o bioma que mais perdeu florestas foi a Mata Atl\u00e2ntica: 58,3% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa convertida para \u00e1reas urbanas nesse bioma eram florestas. Na Amaz\u00f4nia, esse percentual foi de 44,1%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Aglomerados Subnormais s\u00e3o \u00e1reas urbanas ocupadas por uso residencial em locais sem posse da terra pelos ocupantes. Possui padr\u00e3o urban\u00edstico irregular, car\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais (\u00e1gua, esgoto e coleta de lixo regulares, por exemplo) e, por vezes, localizam-se em \u00e1reas com restri\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o (\u00e1reas de risco \u00e0 deslizamento, enchente ou alagamento, por exemplo).&nbsp; Defini\u00e7\u00e3o oficial em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/geociencias\/organizacao-do-territorio\/tipologias-do-territorio\/15788-aglomerados-subnormais.html?=&amp;t=o-que-e\">https:\/\/www.ibge.gov.br\/geociencias\/organizacao-do-territorio\/tipologias-do-territorio\/15788-aglomerados-subnormais.html?=&amp;t=o-que-e<\/a>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>As Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) ou \u00c1reas de Especial Interesse Social (AEIS) s\u00e3o instrumentos urban\u00edsticos que definem \u00e1reas da cidade destinadas para constru\u00e7\u00e3o de moradia popular:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.capacidades.gov.br\/dicionario\/index\/letra\/z\">https:\/\/www.capacidades.gov.br\/dicionario\/index\/letra\/z<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com\/MapBiomas_Infra_Urbana_Novembro_2021_04112021_OK.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acompanhe os principais destaques de \u00c1reas Urbanas aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-embed-handler wp-block-embed-embed-handler wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Brasil Revelado 1985-2020: As transforma\u00e7\u00f5es nas \u00c1reas Urbanas nos \u00faltimos 36 anos\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QU-G0HhyO30?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1985 e 2020, as \u00e1reas urbanizadas no pa\u00eds dobraram, passando de 2,1 milh\u00f5es de hectares para 4,1 milh\u00f5es de hectares. 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