{"id":2273,"date":"2022-11-18T14:10:00","date_gmt":"2022-11-18T14:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=2273"},"modified":"2022-11-18T14:10:00","modified_gmt":"2022-11-18T14:10:00","slug":"radiografia-da-costa-brasileira-nos-ultimos-37-anos-manguezais-estaveis-praias-e-dunas-em-retracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/2022\/11\/18\/radiografia-da-costa-brasileira-nos-ultimos-37-anos-manguezais-estaveis-praias-e-dunas-em-retracao\/","title":{"rendered":"Radiografia da costa brasileira nos \u00faltimos 37 anos: manguezais est\u00e1veis, praias e dunas em retra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/08\/MapBiomas_Zona_Costeira_2022_18_11_OK_1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Acesse os principais destaques da Cole\u00e7\u00e3o 7 sobre a Zona Costeira no Brasil<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com 7491 quil\u00f4metros, a costa brasileira coloca nosso pa\u00eds entre os 20 pa\u00edses com maior litoral no mundo. Com o aux\u00edlio de imagens de sat\u00e9lite e recursos de intelig\u00eancia artificial, o MapBiomas fez um raio-X desse territ\u00f3rio, que engloba praias, dunas, manguezais, apincus e \u00e1reas de aquicultura e salicultura. Tamb\u00e9m foram mapeados munic\u00edpios no interior do Brasil com grandes areais. Os n\u00fameros mostram uma relativa estabilidade nessas forma\u00e7\u00f5es naturais, com alguns ganhos em manguezais e a mesma tend\u00eancia de perda de praias e dunas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa not\u00edcia vem dos manguezais, que se estendem por toda a costa brasileira do Amap\u00e1 at\u00e9 Santa Catarina. Entre 1985 e 2021, sua \u00e1rea total expandiu-se 4%, passando de 970 mil hectares para mais de um milh\u00e3o de hectares (1.011 Mha). Tr\u00eas estados da regi\u00e3o norte &#8211;&nbsp; Amap\u00e1, Par\u00e1 e Maranh\u00e3o &#8211; respondem por 80% da cobertura de manguezais do pa\u00eds e sua configura\u00e7\u00e3o explica esse bom resultado. Os manguezais do norte crescem sob um regime de macromar\u00e9, cujo n\u00edvel de \u00e1gua tem varia\u00e7\u00e3o di\u00e1ria superior a 4 metros, e desenvolvem-se sobre uma plan\u00edcie de lama que chega a medir 30 km de largura, ocupada por \u00e1rvores de at\u00e9 30 m de altura, afirma Pedro Walfir, da equipe de mapeamento da zona costeira do MapBiomas.&nbsp; Esse tipo de cobertura natural torna este ecossistema naturalmente resiliente \u00e0s mudan\u00e7as antr\u00f3picas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mangue \u00e9 ber\u00e7\u00e1rio de in\u00fameras esp\u00e9cies marinhas: 70 a 80% dos peixes, crust\u00e1ceos e moluscos que a popula\u00e7\u00e3o consome precisam desse bioma em alguma fase de suas vidas. Diversas esp\u00e9cies de peixes economicamente importantes utilizam os mangues como \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o e depois voltam para o mar. Os manguezais tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para proteger a costa da eros\u00e3o marinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as forma\u00e7\u00f5es naturais sobre as quais o mangue se expande est\u00e3o os apicuns &#8211; superf\u00edcies din\u00e2micas, hipersalinas e associadas ao regime de mar\u00e9s.&nbsp; Entre 1985 e 2021, os apicuns passaram de 57 mil para 54 mil hectares de \u00e1rea no Brasil.&nbsp; O Maranh\u00e3o concentra aproximadamente 60% da superf\u00edcie de apicuns do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior parte de sua \u00e1rea (70%) encontra-se dentro de alguma das 340 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o da Zona Costeira Brasileira. Apesar disso, entre 1985 e 2021, 1,3 mil hectares de apicuns foram convertidos para atividades de aquacultura que, junto com os 531 hectares perdidos para infraestruturas urbanas, representa o principal risco para este tipo de forma\u00e7\u00e3o natural.&nbsp; \u201cApicuns, assim como os manguezais, s\u00e3o localmente din\u00e2micos, intercalando perdas e ganhos de magnitude aproximadas ao longo da s\u00e9rie temporal. S\u00e3o processos de transforma\u00e7\u00e3o natural\u201d, explica C\u00e9sar Diniz, da equipe de mapeamento de zona costeira do MapBiomas. \u201cPor\u00e9m quando h\u00e1 a convers\u00e3o para infraestrutura urbana ou aquacultura, essa din\u00e2mica \u00e9 interrompida: n\u00e3o h\u00e1 volta para a forma\u00e7\u00e3o original\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aquicultura foi a ocupa\u00e7\u00e3o da zona costeira brasileira que mais cresceu nos \u00faltimos 37 anos: ela teve&nbsp; um aumento de 36% entre 1985 e 2021, passando de 36 mil hectares para 56 mil hectares no pa\u00eds. A atividade expandiu-se principalmente sobre superf\u00edcies de \u00e1gua (28%), mosaico de agricultura ou pastagem (25%) e forma\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica (14%), com n\u00edtida prefer\u00eancia por regi\u00f5es n\u00e3o vegetadas, como apicuns ou, quando vegetadas, de porte arbustivo. Dois estados (Rio Grande do Norte, com 67%, e Cear\u00e1, com 15,4%&nbsp; concentram 82% da \u00e1rea de salicultura \/ aquicultura no Brasil. Mossor\u00f3, no Rio Grande do Norte, possui a maior \u00e1rea de aquicultura\/salicultura no pa\u00eds: aproximadamente 11 mil hectares \u2013 o dobro da \u00e1rea urbanizada do munic\u00edpio.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Praias, dunas e areais perdem 15% de \u00e1rea<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio de praias e dunas arenosas sem cobertura vegetal \u00e9 distinto: com 47% de sua \u00e1rea est\u00e1&nbsp; em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, as quais minguaram de 457 mil hectares, em 1985, para 389 mil hectares em 2021 \u2013 uma retra\u00e7\u00e3o de 15%. Entre os vetores que levaram a essa perda de 68 mil hectares est\u00e1 a press\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio e o consequente avan\u00e7o de infraestruturas urbanas (11%), a silvicultura (7,4%), as pastagens e mosaicos de agricultura e pecu\u00e1ria (10%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa perda \u00e9 preocupante porque praias e dunas t\u00eam papel estrat\u00e9gico no controle da eros\u00e3o costeira e preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, explica C\u00e9sar. \u201cA praia e a duna normalmente protegem os manguezais das a\u00e7\u00f5es das ondas, criando um ambiente calmo, onde a lama pode ser depositada e colonizada pela vegeta\u00e7\u00e3o de mangue\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Len\u00e7\u00f3is Maranhenses e o Cord\u00e3o Dunar do Rio Grande do Sul s\u00e3o as duas fei\u00e7\u00f5es arenosas cont\u00edguas de maior extens\u00e3o no Brasil. Juntos, eles respondem por 51% da extens\u00e3o de praias e dunas do pa\u00eds. Por\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 areais e dunas apenas no litoral: segundo o MapBiomas, dos 10 munic\u00edpios com maior extens\u00e3o desse tipo de cobertura, dois ficam no interior do pa\u00eds &#8211; Pil\u00e3o Arcado e Xique-Xique, ambos na Bahia. O munic\u00edpio l\u00edder \u00e9 Barreirinhas, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Desafios do uso da Terra - Zona Costeira (Cole\u00e7\u00e3o 7)\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AYMKs95nnJI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acesse os principais destaques da Cole\u00e7\u00e3o 7 sobre a Zona Costeira no Brasil Com 7491 quil\u00f4metros, a costa brasileira coloca nosso pa\u00eds entre os 20 pa\u00edses com maior litoral no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2972,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-2273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-initiatives"],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"trp-custom-language-flag":false,"post-thumbnail":false},"uagb_author_info":{"display_name":"admin-mapbiomas","author_link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/author\/admin-mapbiomas\/"},"uagb_comment_info":28,"uagb_excerpt":"Acesse os principais destaques da Cole\u00e7\u00e3o 7 sobre a Zona Costeira no Brasil Com 7491 quil\u00f4metros, a costa brasileira coloca nosso pa\u00eds entre os 20 pa\u00edses com maior litoral no [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}