{"id":2257,"date":"2022-12-02T14:05:00","date_gmt":"2022-12-02T14:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=2257"},"modified":"2022-12-02T14:05:00","modified_gmt":"2022-12-02T14:05:00","slug":"amazonia-perdeu-97-de-sua-vegetacao-natural-em-37-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/2022\/12\/02\/amazonia-perdeu-97-de-sua-vegetacao-natural-em-37-anos\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia perdeu 9,7% de sua vegeta\u00e7\u00e3o natural em 37 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Os dados mais recentes do MapBiomas Amaz\u00f4nia refor\u00e7am a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o internacional integrada para reverter a atual tend\u00eancia de destrui\u00e7\u00e3o que, se persistir,&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>levar\u00e1 o bioma al\u00e9m de seu ponto sem retorno at\u00e9 o final desta d\u00e9cada<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/s3.amazonaws.com\/amazonia.mapbiomas.org\/destaques\/AmazoniaC4_FactSheet_Regional.pdf\">Acesse os principais destaques da Cole\u00e7\u00e3o MapBiomas Amazon\u00eda 4.0<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1985, apenas 6% (cerca de 50 milh\u00f5es de hectares) da Amaz\u00f4nia haviam sido transformados em \u00e1reas antr\u00f3picas, como pastagens, lavouras, garimpos ou \u00e1reas urbanas. Em 2021, essa \u00e1rea quase triplicou, chegando a 15% (quase 125 milh\u00f5es de hectares) de toda a regi\u00e3o. Foi uma perda l\u00edquida de quase 10% de sua vegeta\u00e7\u00e3o natural em apenas 37 anos. A magnitude da destrui\u00e7\u00e3o varia de um pa\u00eds para outro: no Suriname, na Guiana e na Guiana Francesa \u00e9 de apenas 1,6%, mas no Brasil chega a 19%. Esse percentual est\u00e1 muito pr\u00f3ximo do ponto de inflex\u00e3o ou ponto sem retorno, calculado pelos cientistas na faixa entre 20% e 25% de perda da cobertura vegetal.&nbsp; Se a tend\u00eancia atual verificada pelo MapBiomas Amaz\u00f4nia continuar, o bioma, que \u00e9 um sumidouro de carbono de import\u00e2ncia planet\u00e1ria, chegar\u00e1 a um ponto sem volta, afetando irreversivelmente seus servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, e poder\u00e1 se tornar uma savana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As geleiras dos Andes amaz\u00f4nicos, que fornecem \u00e1gua para milh\u00f5es de pessoas e alimentam as nascentes dos grandes rios da regi\u00e3o, perderam 46% de seu gelo no per\u00edodo analisado. A atividade miner\u00e1ria expandiu-se 1107% (mais de 1.000 por cento, passando de 47 mil hectares em 1985 para mais de 570 mil hectares em 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi feita a medi\u00e7\u00e3o em uma regi\u00e3o t\u00e3o heterog\u00eanea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados s\u00e3o resultado da Cole\u00e7\u00e3o MapBiomas Amaz\u00f4nia 4.0, iniciativa resultante da colabora\u00e7\u00e3o entre a RAISG (Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00f5es Socioambientais Georreferenciadas) e a Rede MapBiomas. A iniciativa mapeia com resolu\u00e7\u00e3o de 30 metros a din\u00e2mica, h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, de 18 classes diferentes de cobertura e uso do solo, como florestas, savanas, manguezais, \u00e1reas agr\u00edcolas, \u00e1reas urbanas, minera\u00e7\u00e3o e geleiras, dentro dos 8,4 milh\u00f5es de km2 da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, que inclui a Cordilheira dos Andes, a plan\u00edcie amaz\u00f4nica e as transi\u00e7\u00f5es com o Cerrado e o Pantanal.<br><br>Os resultados foram apresentados no dia 2 de dezembro no audit\u00f3rio da Embaixada do Brasil em Lima, com transmiss\u00e3o ao vivo pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7ZI-wAz2qYI\">canal da RAISG no Youtube.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com\/WhatsApp_Image_2022-12-02_at_12.15.04.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\"><em>Evento aconteceu na Embaixada do Brasil, em Lima, no Peru (Foto:&nbsp;Juliano Schirmbeck)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><br>Transforma\u00e7\u00e3o acelerada das florestas amaz\u00f4nicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados das an\u00e1lises preliminares revelam uma transforma\u00e7\u00e3o acelerada das florestas amaz\u00f4nicas. Segundo os autores, as perdas t\u00eam sido enormes, praticamente irrevers\u00edveis e sem perspectiva de revers\u00e3o dessa tend\u00eancia. Os dados acendem a luz amarela e d\u00e3o um sentido de urg\u00eancia \u00e0 necessidade de uma a\u00e7\u00e3o internacional integrada, decisiva e contundente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A Cole\u00e7\u00e3o MapBiomas Amaz\u00f4nia 4.0 \u00e9 inestim\u00e1vel para o entendimento da din\u00e2mica de uso dos recursos naturais da regi\u00e3o, al\u00e9m de contribuir para a modelagem clim\u00e1tica e o c\u00e1lculo das emiss\u00f5es e remo\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa devido \u00e0s mudan\u00e7as no uso do solo na regi\u00e3o.&#8221; , disse Tasso Azevedo, Coordenador Geral do MapBiomas. Beto Ricardo, coordenador geral da RAISG, acrescenta que as informa\u00e7\u00f5es geradas pelo MapBiomas Amaz\u00f4nia fortalecem a Rede com dados t\u00e9cnico-cient\u00edficos, mensagens-chave sobre a import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia, sua grande contribui\u00e7\u00e3o para o mundo na regula\u00e7\u00e3o do clima e armazenamento de carbono, ao tempo que alerta sobre as mudan\u00e7as na cobertura natural causadas por diferentes atividades antr\u00f3picas realizadas entre 1985 e 2021. Ricardo destaca que essas atividades colocam em risco o equil\u00edbrio natural dos ecossistemas e, com ele, a estabilidade do clima do planeta. &#8220;Publicar a Cole\u00e7\u00e3o 4.0 do MapBiomas Amaz\u00f4nia nos permite contribuir com o monitoramento da regi\u00e3o com uma vis\u00e3o integral, ajudando-nos a construir e propor estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o mais precisas com propostas e informa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas compartilhadas entre outros pa\u00edses, bem como aspectos socioambientais da grande import\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Mar\u00eda Olga Borja, coordenadora t\u00e9cnica do Equador, esses mapas representam uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o e para seu pa\u00eds: \u201cO Equador n\u00e3o tem uma an\u00e1lise temporal t\u00e3o detalhada. A periodicidade anual destes dados permite-nos medir o pulso das altera\u00e7\u00f5es que os ecossistemas est\u00e3o sofrendo, algumas causadas diretamente pelas atividades humanas, como a convers\u00e3o das florestas para a agricultura, mas outras que j\u00e1 apresentam sinais evidentes e mensur\u00e1veis \u200b\u200bdas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como a redu\u00e7\u00e3o de geleiras e a expans\u00e3o de lagos devido ao degelo, entre outros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores destacam o contraste entre a din\u00e2mica acelerada de mudan\u00e7a do uso da terra ocorrida na Amaz\u00f4nia no per\u00edodo estudado, e particularmente nos \u00faltimos trinta anos, com a lentid\u00e3o que caracteriza o ritmo das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que nas quase tr\u00eas d\u00e9cadas desde a primeira c\u00fapula do clima fizeram progressos modestos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Harlem Mari\u00f1o, coordenador de um projeto sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas liderado pela RAISG, a falta de acordos definitivos na COP27 sobre quest\u00f5es-chave para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como o abandono progressivo do uso de todos os combust\u00edveis f\u00f3sseis, ter\u00e1 repercuss\u00f5es na Amaz\u00f4nia: \u201cIsso significa que as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa provenientes do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis continuam pressionando os sumidouros de carbono, como a floresta amaz\u00f4nica. Al\u00e9m disso, essa falta de acordos pode implicar na continuidade do fomento \u00e0s atividades de explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis na Amaz\u00f4nia, com a consequente redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de sumidouros de carbono e o aumento das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa decorrentes da mudan\u00e7a de uso da terra e a consequente queima desses combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, observa Mari\u00f1o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Lanzamiento Colecci\u00f3n 4.0 MapBiomas Amazon\u00eda\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7ZI-wAz2qYI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SOBRE A PLATAFORMA MAPBIOMAS AMAZ\u00d4NIA&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A plataforma MapBiomas Amaz\u00f4nia (<a href=\"http:\/\/amazonia.mapbiomas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/amazonia.mapbiomas.org<\/a>) \u00e9 uma ferramenta que permite a qualquer pessoa com acesso \u00e0 Internet entender as mudan\u00e7as no uso da terra em toda a Amaz\u00f4nia e as press\u00f5es sobre suas florestas e ecossistemas naturais. A informa\u00e7\u00e3o gerada \u00e9 compat\u00edvel para todos os pa\u00edses da regi\u00e3o e permite conhecer a situa\u00e7\u00e3o de 18 categorias de an\u00e1lise, denominadas &#8220;classes&#8221;, que incluem \u00e1reas cobertas por florestas, campos naturais, manguezais, agricultura e rios. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o gratuitas e est\u00e3o dispon\u00edveis para download.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela permite explorar a mais recente cole\u00e7\u00e3o de mapas anuais, abrangendo o per\u00edodo entre 1985 e 2021, e identificar mudan\u00e7as na cobertura e uso da terra em um local (regional, nacional e local) e um per\u00edodo (ano, quinqu\u00eanio, d\u00e9cadas, etc.) determinado. A ferramenta tamb\u00e9m apresenta estat\u00edsticas em tabelas e gr\u00e1ficos din\u00e2micos, com as mudan\u00e7as de uso no per\u00edodo que o usu\u00e1rio requer e permite entender a din\u00e2mica das mudan\u00e7as dentro e fora de um Territ\u00f3rio Ind\u00edgena ou \u00c1rea Protegida. A plataforma permite ainda explorar dados relacionados a vetores de press\u00e3o em coberturas naturais como concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o, lotes de petr\u00f3leo, estradas e usinas hidrel\u00e9tricas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados mais recentes do MapBiomas Amaz\u00f4nia refor\u00e7am a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o internacional integrada para reverter a atual tend\u00eancia de destrui\u00e7\u00e3o que, se persistir,&nbsp;levar\u00e1 o bioma al\u00e9m de seu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2961,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-2257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-initiatives"],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"trp-custom-language-flag":false,"post-thumbnail":false},"uagb_author_info":{"display_name":"admin-mapbiomas","author_link":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/blog\/author\/admin-mapbiomas\/"},"uagb_comment_info":16,"uagb_excerpt":"Os dados mais recentes do MapBiomas Amaz\u00f4nia refor\u00e7am a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o internacional integrada para reverter a atual tend\u00eancia de destrui\u00e7\u00e3o que, se persistir,&nbsp;levar\u00e1 o bioma al\u00e9m de seu [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2257\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}